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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Julio César e a lenda do dedo quebrado


Torcedor, que fique claro: a ideia NÃO É diminuir o goleiro Julio César ou sua garra. A ideia é apenas colocar as coisas em seu devido lugar.

Mas não consegui parar de pensar depois de ver essa imagem aí em cima, lembrando do jogo contra o Botafogo, no Brasileiro-2011, onde ele continuou em campo após "quebrar" o dedo. Como se, por causa disso, a torcida tivesse alguma "dívida de gratidão" que o fizesse imune a críticas, mesmo após continuar falhando em lances simples da sua profissão.

Primeiro, antes de tudo: ele NÃO QUEBROU O DEDO. Ele luxou. Parece um detalhe, diante da "raça" que ele mostrou ao ficar em campo. Mas é um detalhe que faz toda a diferença. 

Uma luxação dói. Afinal, luxação é o deslocamento de um osso ou articulação, normalmente no ombro, dedos, cotovelos, punho ou joelhos. Quando identificada, é urgente o reposicionamento do osso ao seu lugar correto, para que não haja problemas com a pressão sanguínea no local (link).

Podem ocorrer lesões secundárias que tornam a recuperação mais difícil e dolorosa do que uma fratura seria. No entanto, no caso do Julio César, os exames apontaram que ele poderia voltar a campo logo. E de fato, ele ficou dois dias com o dedo imobilizado por uma tala e na semana seguinte voltaria a treinar. Fez fisioterapia pra acelerar a recuperação do movimento do dedo. Mas não houve lesões subsequentes.

A lesão não se mostrou grave desde o início; a decisão dele de se manter em campo após o atendimento médico mostra isso. Se a dor fosse insuportàvel ou se a lesão fosse de fato grave, pra que ficar? Porque arriscar a saúde da mão - e da carreira?

Outro detalhe que me chamou a atenção é o fato de se ver esse fato como uma mostra de heroísmo, quando é algo tão comum no esporte profissional. Em menos de 5 minutos de pesquisa, achei três notícias de atletas que se machucaram e se superaram, tal qual Julio César fez.

Um deles foi o goleiro Fabio Coltorti, do All Boys (Suíça), que deslocou o dedo, mas continuou em campo pois seu time havia feito as três substituições. Veja video abaixo:


Notem que é clara a dor sentida. Mas o goleiro não gritou, não esperneou nem chorou rios de lágrimas. Apenas sentiu dor. Muita dor, talvez. Mas apenas dor.

O segundo caso ocorreu nas Olimpíadas de Londres; a judoca húngara Abigel Joo se lesionou na luta das quartas-de-final. Sem conseguir firmar no chão uma das pernas, perdeu a semifinal, mas ainda assim lutou a disputa da medalha de bronze e venceu!

O último é recente, ocorreu nesse dia 15: a tenista americana Serena Williams sofreu uma entorse no tornozelo em uma partida pelo Aberto da Austrália. Foi atendida e voltou ao jogo, o qual aliás venceu por 2 sets a zero (confira link).

Enfim, o que quero dizer é: apesar de corajoso, o JC fez o que muitos já fizeram: se superaram. Mas, afinal, ser profissional não é isso? Dar o máximo de si em todos os momentos?

Antes de endeusar o goleiro por isso e resolver trocar seguidas falhas no gol por um ato de coragem, lembro apenas de mais uma coisa ainda: na época, o Julio César precisava MUITO reconquistar a torcida.

Esse jogo do dedo quebrado ocorreu em 20 de julho de 2011, pouco mais de dois meses após ter falhado na final do Paulista, contra o Santos. O goleiro foi responsabilizado por parte da torcida e sofreu com protestos até piores do que os que o fizeram encerrar a conta do Twitter, esses dias.

Antes desse jogo, ele já havia falhado duas vezes nesse mesmo campeonato, uma vez contra a Ponte Preta e  outra contra o Mirassol (veja video).



Enfim, essa situação foi uma excelente oportunidade para ele. E foi bem aproveitada: após o jogo, ele declarou à TV Bandeirantes: “Quebrou o dedo. Tive fratura exposta. Aqui é Corinthians”, deixando a torcida em polvorosa. Minutos depois, a hashtag #juliocesarguerreiro já havia sido criada e era um dos termos mais citados do Brasil.

No entanto, um dia depois, ele admitiu que os gritos à beira do campo eram muito mais pelo medo e desespero de ter se machucado do que pela dor sentida (veja link). Afinal, além das falhas já citadas, o Corinthians tinha no elenco o recém-contratado Renan, e o goleiro temia que pudesse ser substituído e acabasse ficando na reserva.

Enfim, pensamentos à parte, repito que a ideia não é diminuir o ato. Lógico que foi corajoso. Mas o fato é que o Julio César JAMAIS teria seguido no jogo se estivesse em risco. Por mais que o jogo fosse importante, se a mão dele pudesse sofrer qualquer sequela se ele ficasse em campo, ele NÃO TERIA FICADO. Todos nós sabemos que os médicos dos clubes têm autoridade pra ordenar a substituição de um jogador caso seja estritamente necessário!

Então, não aceito essa de "Força Julio" só porque ele jogou um jogo com um dedo luxado. Força, garra e coragem são qualidades essenciais e obrigatórias de um jogador do Corithians, e demonstrá-las de vez em quando faz parte!

Eu quero um Julio César 100% confiante, em condições de disputar o gol pau a pau com o Cássio. E, hoje em dia, isso é muito mais um sonho o que uma realidade.

Não consigo fingir que ele só passa por uma "fase ruim" e ignorar que há algo de errado. Se os problemas dele não forem atacados de frente, ele sempre dependerá de um acesso de garra pra reconquistar a torcida, após uma (ou várias) falhas. 

E isso, ele não merece. Mesmo.

8 comentários:

  1. ele é humano...ele falha também como todos nos!! não é necessário criticarem ele como tao, e nem inventa "apelidinhos" de mal gosto! a nação não pode se esquecer de tudo que ele já fez pelo timão! Força Julio e volte com tudo!!!!!!!!

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  2. É sério, sou corintiano, mas cada vez mais eu tenho ódio da torcida do meu time. Essa postagem é vergonhosa tanto quantas as críticas que estão fazendo à ele e quanto farão ao Cássio quando falhar. Bem, a torcida do S. C. Corinthians Paulista tem sim DÍVIDA DE GRATIDÃO COM O JÚLIO CÉSAR. Falhar contra o Paulista não de nem se comentar, porque ele pode falhar quantas vezes forem necessário, porque é a vida de um goleiro, o que não pode, para anacéfalos do futebol é falhar em decisão. Ai vem a grande diferença da nossa torcida para a do São Paulo. O Rogério Ceni é um goleiro que falha muito, mas em compensação num mata-mata ou numa decisão, ele cresce, tanto é que ele estar lá 20 anos. Quando o Cássio falhar contra um paulista da vida num jogo tão insignificante quanto esse, essa TORCIDA IMBECIL DA GAVIÕES (sou corintiano roxo), quebrem o carro dele e expulsem eles seus animais, lembrando que quando ele chega em decisão ele cresce, bando de idiotas!

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    1. Teoge, não sou da Gaviões mas alto lá. A minha crítica não me faz menos corinthiano do que você, e o seu apoio não te faz mais corinthiano que eu. Nem quanto a qualquer outro corinthiano... todos nós amamos esse time e queremos seu sucesso - e dos jogadores também!
      As críticas fazem parte, e as opiniões diversas também. O respeito precisa imperar acima de tudo. Por isso aí está seu comentário, publicado. Mas precisei deixar a réplica aqui. Abraços.

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  3. Daniel, seu texto foi SUPER BEM ESCRITO, com termos claros, educados e a crítica foi EXTREMAMENTE CONSTRUTIVA, fora o fato que você fundamentou (fez prova) um a um dos seus comentários. Parabéns! O nosso colega Teoge, aí em cima, escreveu bobagem...MAS MUITA BOBAGEM...Vejamos:
    1- Se ele tem vergonha da torcida dele, que todo mundo admira (inclusive do outro lado do mundo), muda de time, ele não representa a torcida e nem fala por ela;
    2- A Rogéria Ticken Ceni, tem mais de 20 anos no mesmo clube, logo, goza de uma credibilidade indiscutível, que o permite cometer falhas como qualquer outro grande goleiro;
    3- O Júlio César falha demais, e REITERADAMENTE, tanto em jogos simples como em jogos importantes. CIto aqu a nossa eliminação contra a Ponte-preta, no paulistão do ano passado (que já era tragédia anunciada, pois ele já vinha falhando), onde o JC cometeu, em dois lances, três falhas bizarras, risíveis, que culminaram com a liminação do timão. GRAÇAS A DEUS, porque o TITE não teve escolha ao substituí-lo pelo Cássio, que meses depois veio a salvar o corinthians e se tornar um dos grandes nomes da equipe na libertadores.
    É muito cedo para o JC cometer as grosserias que vem cometendo, ele precisa treinar muito e se dedicar cada vez mais, pois, no momento, nem de longe ele é goleiro para estar na reserva do Corinthians...titular então, nem se falar!
    Parabéns pelo texto cara...DEMAIS!

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    1. O problema é que estão minimizando o que ele (JC) fez, isso não se faz. Eu tenho orgulho do Corinthians, agora quando é para fazer festa a torcida é top, quando está insatisfeita... vc sabe o que ela faz. Sou corintiuano com muito orgulho, pena que alguns se acham autoridade para fazer o que fazem quando estão insatisfeitos com jogadores!

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  4. Velho, vc ta falando muita besteira. Eu luxei o dedo exatamente como o Julio Cesar, tbm sou goleiro, o dedo volta pro lugar, mas nao volta firme, qlqer impacto ele entorta de novo, sem contar q ele fica extremamente inchado, inflamado e dolorido por um mes mais ou menos.
    Detalhe, eu ODEIO o Julio Cesar como goleiro, nao quero defender ele, apenas ser justo.

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    1. Gabriel, não tirei do nada o que escrevi. Pesquisei junto a sites médicos as caracterísicas da lesão e as possíveis implicações. Também pesquisei o tempo que ele ficou com o dedo imobilizado e em quantos dias ele voltou a ficar à disposição do treinador, e isso eu te digo: foram 12 dias. Acredito no seu depoimento mas você mesmo, sendo goleiro, sabe que QUALQUER lesão tem seus níveis de gravidade. Possivelmente a sua luxação foi levemente mais forte do que a dele, por isso a discrepância nos prazos. Também precisamos considerar a estrutura do DM do Corinthians (cuja qualidade pode ter acelerado o tratamento). De qualquer forma, obrigado pelo contraponto, sempre é importante pro debate. Abraços!

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  5. Aham.... contraponto. Agradecimentos, mi mi mi.... pros que perdem tempo em te questionar. Devia agradecer o seu goleiro, pq pra mim até hj ele continua sendo #Corinthiansporra

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